Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

VOLÚPIA


Só me sinto inteiro
quando me sinto
extensão redonda do teu corpo
continuação do teu sorriso
eco das tuas palavras
prolongamento dos teus dedos


Na miscigenação dos nossos sonhos
escorre a noite entre os lençóis suados


Na singela matemática dos nossos corpos
nus
assumimo-nos como número-primo



fernando peixoto

10 comentários:

Sophiamar disse...

É o amor um dos temas predilectos dos poetas. Por que será? Questiono-me. Talvez pela sensibilidade apurada, talvez pela visão diferente da vida, talvez por uma valorização dos sentimentos numa escala que nós, humanos vulgares, não atingimos?
Li, reli e senti um sujeito poético apaixonado, tanto, tanto que a sua amante, objecto do seu amor, é a outra metade imprescindível ao acto de viver. Só com ela se sente inteiro. Poesia e pintura, duas artes que se complementam. Belo!

Beijinhos, Fernando.

Brancamar disse...

Sempre a mesma mestria, Fernando, de emprestar vida e sentimentos às palavras, de fazer do poema vida em movimento.Sentimos os seus versos como se fossem nossos.De tanta força que lhes empresta quase nos sentimos como o sujeito dos mesmos.
E perante tanta emoção que nos transmite não tenho palavras capazes de adjectivar a sua poesia, que acho única e com características muito próprias.
Beijinho

São disse...

Oh, que maravilha!!
Muitos momentos como esse em 2008, meu amigo!

A.S. disse...

Meu caro Fernando,
As palavras deste poema, são veias transparentes de um corpo nu, cujo púbis de água é ao mesmo tempo nascente e foz da miscegenação dos sonhos...

Um abraço!

Albino Santos

Maria Luar disse...

Só para assim ser amada vale a pena a vida. E se a matemática se aplica ao amor façamos as contas para que seja binómio perfeito entre amador e coisa amada.

Abraço

*

Cris disse...

Exemplos de uma mente brilhante e conquistadora.
sinto saudades de ouvir palavras carregadas de carinho e alegria.
Lindíssimo*

São disse...

Abraços, muitos!!

Dominique disse...

Deveras é incrível como as letras se unem para gerar palavras que você tão singularmente utiliza para criar poemas tão perfeitos. Estou me tornando fã de sua escrita. E aguardo ansiosamente a cada nova obra-prima que posta na Arca da Ternura.

Parabéns, Fernando! Com esta bela mensagem de amor, 2008 já começa abençoado!

Um abraço grande!

marius70 disse...

Se um número primo só é divisível por si ou pela unidade, que os corpos sejam unos, de corpo inteiro no eco das tuas palavras

Um abraço

Átila Siqueira. disse...

Oi, deixei em meu blog uma coisa para ti, e se puderes visitar eu ficaria muito grato.

Cordialmente,
Átila Siqueira.